sábado, 12 de julho de 2014

Uma dieta Gourmet


Estou a fazer uma dieta. Está a correr muito bem porque num mês já perdi mais de 5 kg sem grande esforço.

Normalmente as dietas parecem serem experiências horríveis, porque impõem às pessoas comida verdadeiramente medíocre do ponto de vista gastronómico.  Esta dieta é muito diferente porque permite comer pratos óptimos.

Esta é uma dieta, ou melhor um “método”, desenvolvido por um francês chamado Michel Montignac nos anos 80. A ideia base  é mais antiga, começou nos Estados Unidos, nos anos 60 com a investigação sobre os diabetes e com o estudo dos índices glicémicos dos alimentos.

Segundo estas investigações são os índices glicémicos que são determinantes para definir se um alimento engorda ou não. Segundo esta teoria as calorias contidas nos alimentos não são muito relevantes para determinar se um alimento engorda ou não. 
Os alimentos que não são recomendas por esta dieta são os que tem elevados índices glicemicos .

O método Montignac parte da classificação tradicional dos nutrientes em:

- proteínas;
- glúcidos;
- lipidos ou gourduras.

Mas, ao contrário de outras dietas, o método Montignac não proíbe nenhuma destas categorias de nutrientes, o que faz é dividir de acordo com o seu índice glicémico. Assim temos glúcidos bons, que são os que tem baixo índices glicémicos e glúcidos maus, que são os que tem altos índices glicémicos. Exemplos de glúcidos bons são o feijão verde, o feijão branco e as ervilhas, exemplos de glúcidos maus são o pão branco, as batatas fritas, batatas assadas e o arroz. Esta é umas das ideias mais importantes do método Montignac, 

Da mesma maneira os lipidos também são classificados em bons e maus, 

Esta é por isso uma dieta em que se pode comer foie-gras e beber vinhos tinto. Perfeito.


Esta é também o único metódo de emagrecer em que o interesse gastronómico da alimentação tem também um lugar de grande relevo. Por isso foram desenvolvidas, e continuam a ser, imensas receitas que incluem por exemplo gratinéne de champignons e lapin niçois.  
Vou incluir neste blog algumas receitas baseadas no método Montignac com o tag DietaGoutmet.



Tabela do índice glicémico dos alimentos

Hidratos de carbono com índices glicémicos altos  (maus)
Índice glicémico
Hidratos de carbono com índices glicémicos médios-baixos (bons)
Índice glicémico
Cerveja
110
Arroz integral
50
Glicose
100
Arroz Basmanti
50
Féculas, amidos modificados
100
Ervilhas em conserva
50
Maltodextrina
95
Batata-doce
50
Batatas assadas no forno
95
Massas integrais (feitas de trigo integral)
50
Batatas fritas
95
Quivi
50
Farinha de arroz
95
Caqui
50
Puré de batata
90
Bolachas integrais
50
Batatas fritas industriais
90
Manga
50
Mel
90
Arroz Basmanti integral
45
Arroz tufado
90
Esparguete cozido al dente
45
Maizena (amido de milho)
85
Uvas (todas as variedades)
45
Pão refinado muito branco
85
Sumo de laranja fresco (sem açúcar)
45
Cenoura cozida
85
Ervilhas frescas
40
Corn flakes,
85
Cereais integrais (sem açúcar)
40
Pipocas
85
Flocos de aveia (integrais)
40
Nabo (cozido)
85
Sumo de fruta fresca (sem açúcar)
40
Pão branco para hambúrguer
85
Pumpernickel (pão negro alemão)
40
Arroz com leite
85
Pão de centeio integral
40
Arroz pré-cozido
85
Pão 100 % integral
40
Galetes de Arroz
85
Gelados com alginatos
40
Favas cozidas
80
Massa integral al dente
40
Donuts
75
Figos secos
40
Abóbora
75
Pêssegos  secos
35
Melancia
75
Arroz selvagem (negro)
35
Açúcar (sacarose)
75
Quinoa
35
Pão branco
70
Ameixas secas
35
Cereais refinados doces
70
Ameixas
35
Barritas de chocolate
70
Figos frescos
35
Polenta
70
Feijão seco (vermelho, branco)
35
Batatas fervidas sem a casca
70
Tangerinas
35
Colas, sodas
70
Laranjas
35
Bolachas
70
Molho de tomate (sem açúcar)
35
Arroz branco
70
Cenoura crua
30
Talharim
70
Produtos lácteos (iogurte)
30
Risoto
70
Lentilhas amarelas
30
Coca-Cola
70
Grão de bico
30
Farinha
70
Pêssegos frescos
30
Farinha de milho
70
Feijão-verde
30
Ravioli, tortellini
70
Massinha de soja
30
Chocolate de leite
70
Lentilha pardina
30
Baguete (pão francês branco)
70
Maçã
30
Painço (milho miúdo)
70
Peras
30
Croissant
70
Tomates
30
Brioche
70
Toranja
30
Dátil
70
Nectarinas
30
Melaço
70
Nabo (cru)
30
Cuscuz (cozido 5 minutos)
65
Farinha de soja
25
Farinha integral
65
Cerejas
25
Milho cozido
65
Framboesas
25
Doce com açúcar
65
Morangos
25
Batata assada com a casca
65
Amoras
25
Batata fervida com a casca
65
Doce de fruta sem açúcar
22
Beterraba
65
Lentilhas verdes
22
Sorbet (com açúcar)
65
Chocolate preto  (mínimo70% de cacau)
22
Passas
65
Berinjelas
20
Sumo de laranja comercial
65
Frutose
20
Doce (com açúcar)
65
Lima
20
Pão semi-integral
65
Limão
20
 Inhame
65
Azeitonas
15
Pão trigueiro
65
Alcachofas
15
 Pão de centeio (30% centeio)
65
Amêndoas, nozes, avelãs
15
Beterraba
65
Bróculos
15
Geleias
65
Amendoim
15
Compotas
65
Curgete
15
Esparguete chinês/ massinha de arroz
65
Cebola
15
Ananás em conserva
65
Cogumelos
15
Gelado (com açúcar ou adoçante)
60
Couve de Bruxelas
15
Chocolate em pó (com açúcar ou edulcorante)
60
Couve flor
15
Pizza
60
Espargos
15
Ovomaltine
60
Espinafres
15
Arroz comprido
60
Ervas aromáticas
15
Banana, melão
60
Alfaces (todas as variedades)
15
Sêmola refinada
60
 Soja
15
Pão de leite
60
Pepino
15
Lasanha (trigo duro)
60
Pimentos de todas cores e variedades
15
Mel
60
Alho Francês
15
Porridge (papas de aveia)
60
Pera abacate
15
Raviolis (trigo duro)
60
Sementes de girassol
15
Castanhas
60
Repolho
15
Esparguete branco (muito cozido)
55
Farelo (de trigo, de aveia…)
15
Cereais de farelo (tipo All-bran)
55
Endívias
15
Papaia
55
Acelgas
15
Sushi
55
Caju
15
Trigo bulgur (cozido)
55
Tofu (soja)
15
Mandioca
55
Chucrute (couve fermentada)
15
Pêssegos em conserva (com açúcar)
55
Grãos germinados
15
Sumo de uva (sem açúcar)
55
Tempeh
15
Nutella55
Pera abacate
10
Arroz vermelho55
Especiarias, condimentos( salsa, oregãos,  manjericão, canela, curry etc.)
5

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Beringelas com Carne Picada

Estou a fazer uma dieta, por isso, a experimentar novas receitas. 

Mas não é, de todo, uma receita de uma dieta típica.  Basta olhar para a fotografia e reparar no apetitoso queijo gratinado para perceber isso.

Como é que um prato destes é admissível numa dieta?  Porque se trata de uma dieta baseada em indices glicémicos e não nas calorias e o queijo tem um índice glicémico baixo, e por isso é permitido. 

Vou escrever um post mais detalhado especificamamente sobre a dieta




Ingredientes

  • 200 g de Carne de Vaca Picada
  • 3 Beringelas
  • 200 g de Tomate em lata
  • 100 g de Queijo  Mozarela
  • Azeite (q.b.)
  • 3 dentes de Alho
  • Sal (q.b.)
  • Pimenta (q.b.)

Procedimento

Temperar a carne com o alho, o sal e a pimenta. Deixar tomar o gosto durante pelo menos 1 hora.

Descascar a beringela e cortar em cubos. Temperar como um pouco de sal.

Colocar um pouco de azeite ao lume, quando estiver quente juntar a carne e fritar, mexendo sempre. Tirar a carne do tacho e colocar a beringela em cubo e, se necessário, juntar um pouco mais de azeite. Continuar a mexer até ganhar cor. Colocar a beringela num tabuleiro que possa ir ao forno. Levar ao forno médio (140 ºC) durante aproximadamente 40 minutos.


As beringela também podem ser simplesmente assadas no forno durante 50 minutos, depois de cortas ao meio com alguns golpes na polpa. Neste caso, depois de saírem do forno, tira-se a polpa com uma colher de sopa.


Colocar no tacho a carne picada, a beringela e o tomate em lata. Levar ao lume durante aproximadamente 10 minutos mexendo sempre. Deitar este preparado num tabuleiro de ir ao forno, pode ser o que já foi utilizado para as beringelas, cobrindo com o queijo.

domingo, 1 de junho de 2014

Sopa de Couve-Flor de uma anti-Nigella

Jack Monroe é um chef muito  diferente do habitual.

Jack tem 26 anos, era até à menos de 2 anos uma mãe solteira desempregada com falta de dinheiro até para se alimentar a ela e ao filho. Ela vem de uma família de muito baixos recursos e teve problemas de aprendizagem e, por isso, abandonou a escola. Começou um blog com receitas que lhe permitiam alimentar-se a ela e ao filho com apenas £10 por semana. Ganhou fama com um dos seus posts iniciais chamado "hunger hurts", agora tem uma coluna no Guardian, escreve regularmente em outros jornais e  apareceu em vários programas de televisão a contar a sua história. O Blog tornou-se muito popular pelas "receitas de austeridade" e Jack é agora uma figura reconhecida no Reino Unido. É também politicamente bastante activa, defendendo os benefícios para os mais pobres e atacando ferozmente o corte que o governo britânico tem feito nos apoios sociais.

É também uma cozinheira de excepção. É impressionante a diversidade da sua cozinha, mesmo sujeita a uma restrição orçamental tão forte. A receita abaixo é um excelente exemplo de como se consegue fazer uma cozinha com alguma sofisticação e refinamento com ingredientes tão simples.

Jack Monroe said she was thrilled to have been approached by Sainsbury's for her first commercial co

Sopa de Couve Flor e Funcho


  • 400 g de couve flor (fresca ou congelada)
  • 4 dentes de alho
  • 1 batata cortada
  • 1 cebola cortada em quartos
  • 1 colher de chá de sementes de funcho
  • 2 colheres de sobremesa de azeite
  • 0.5 l de caldo de galinha ou de vegetais


Aqueça o forno a 200ºC

Coloque a couve flor, a batata e a cebola num tabuleiro de ir ao forno.

Esmague os dentes de alho e  junte ao tabuleiro.

Misture o funcho e o azeite e deite por cima dos vegetais. Coloque no forno durante 20 minutos

Retire do forno, retire a pele dos alhos e coloque tudo num copo triturador.

Junte o caldo e triture até ficar macio. Volte a aquecer, se necessário.

domingo, 18 de maio de 2014

Nêsperas com Foie Gras (ou le sous-vide de chez-moi)

Estas nêsperas são uma adaptação de uma receita de Juan Roca, um dos irmão que são proprietários do restaurante El Celler de Can Roca que, nos últimos anos, tem sido considerado um dos melhores do mundo.

As receitas de Juan Roca são modernas, mas não em excesso. Utilizam uma série de técnicas e ingredientes novos enquanto continua a utilizar muito do que é mais tradicional. Sobretudo, não fazem inovação pela inovação.


O resultado desta receita é excelente e muito subtil. Sentem-se todos os sabores, que são facilmente identificáveis,, mas são apresentados em texturas surpreendente. Mais surpreendente ainda é a pureza e a delicadeza com que cada um dos sabores é revelado, graças à utilização de técnicas culinárias avançadas.

A técnica ao serviço dos sentidos, perfeito.


Claro que nada disto se faz sem algumas dificuldades e esta receita colocou-me uma série de problemas práticos, já que, como a maior parte dos mortais não tenho um equipamento de sous-side. Tive, por isso, de ser inventivo.

Para colocar o saco com as nêsperas sob vácuo, o que fiz foi simplesmente tirar, com bastante cuidado, o ar do saco com uma palhinha (atenção para não beber o late harvest que também está no saco). O problema do vácuo já está, de seguida temos de conseguir cozinhar a 50ºC, o que é um pouco mais difícil, mas não de todo impossível. Usei dois tachos,  o maior coloquei ao lume com água para fazer um banho maria. O segundo, também com água, coloquei dentro do primeiro, quando a temperatura no tacho de dentro atinge aproximadamente os 48ºC, coloquei o saco com as nêsperas lá dentro. Depois a temperatura continua a subir, quando atinge aproximadamente os 52ºC retiro o tacho mais pequeno de dentro do maior. A temperatura começa de novo a baixar e por volta dos 48º, volto a colocar o tacho mais pequeno dentro do maior e repito o processo até acabarem os 10 minutos. Funcionou.


Esta técnica aprendi no curso de Harvard que que falei num post-anterior.



Ingredientes


  • 10 Nêsperas
  • 150 g. de Foie-Gras
  • 1 cl de Late Harvest


Para a gelatina


  • 1 cl de Late Harvest
  • 1 g de Agar-agar



Procedimento

Escaldar as nêsperas, cortar ao meio, retirar o caroço e descascar.

Esmagar muito grosseiramente o foie-gras e temperar com sal e pimenta.

Rechear as nêsperas com o foie-gras.

Colocar as nêsperas recheadas num saco para cozinhar em sous-vide, juntar o late harvest e fechar o saco.

Cozinhar no sous-vide a 50º C.

Para a gelatina

Hidratar o agar-agar pelo menos 10 minutos.

Levar o late harvest á ebulição, juntar o agar-agar, mexer bem e retirar do lume.

Colocar a gelatina numa bandeja de forma a que encha até cerca de 2 mm.

Quando a gelatina tiver solidificado completamente cortar em 20 rectângulos idênticos.


Para servir 

Colocar as nêsperas num prato ou travessa e colocar um rectângulo de gelatina por cima.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A perfeita massa de tarte

Como já escrevi em posts anteriores, estou a fazer um fantástico curso que se chama "Science & Cooking: From Haute Cuisine to Soft Matter Science" da Universidade de Harvard, via internet. O curso não tem como objectivo ensinar propriamente a cozinhar, mas antes explicar as bases cientificas de muitos dos processo que acontecem na cozinha, levando assim a pensar de uma forma totalmente diferente.

Ao fim de mais de 20 horas de aulas e outras tantas de trabalhos de casa, tudo muita física, muita química, montes de equações, técnicas de cozinha de vanguarda, etc,finalmente, algo com aplicação prática directa., apesar de ter  muita teoria à mistura.

É uma receita de massa de tarte, mas em que os vários detalhes são pensados, de uma forma absolutamente rigorosa e cientifica, para criar uma massa de tarte perfeita.

As ideias principais são as seguintes:

1. O primeiro passo é juntar a farinha com a manteiga, que deve estar fria, isto é acabada de tirar do frigorífico. A massa não deve ser mexida com a mão mas sim com a máquina ou com uma colher, de forma a que a farinha e a manteiga se misturem, mas sem se combinarem.

2. De seguida são adicionados os ingredientes líquidos, neste caso leite e ovos, estes ingredientes também devem estar a uma temperatura baixa, isto é, mais uma vez, saídos do frigorífico.

3. A massa, depois de batida, fica com uma consistência areada e é colocada em cima da bancada num montículo. Depois é utilizada uma técnica que em francês se denomina fraisage e que consiste em esticar a massa com a mão (video 6'30'') contra a bancada, começando do alto do montículo. O objectivo deste passo é criar "flocos" de farinha entre a manteiga que vai sendo esticada.

4. A massa é envolvida em pelicula e pressionada com as mão de novo de forma a que os vários componentes, sobretudo a farinha e a manteiga se liguem, sem que fique nenhum bocado de manteiga sem estar integrado.

5. A massa é posta a repousar pelo menos 30 minutos no frigorífico, de forma a hidratar a farinha mas também a solidificar a manteiga. A solidificação é importante porque não permite que a manteiga se combine com os outros ingredientes, estando assim disponível para  se transformar em vapor mal se coloque no forno. sendo esse vapor que garante a consistência areada da massa.

6. Um último comentário. Vendo as proporções da massa tem de se dar razão ao grande Auguste Escoffier que dizia que os 3 segredos da cozinha francesa são "du beurre, du beurre et du beurre"







A receita completa é assim:

Ingredientes 

  • 250 g de Farinha
  • 1 colher de sobremesa de Açucar
  • 1 colher de chá de Sal
  • 230 g de Manteiga
  • 2 gemas de Ovos
  • 3 colheres de sobremesa de Leite

Procedimento

1. Junte a farinha, o sal e o açúcar na taça do misturador e coloque a manteiga fria cortada em pedaços em cima. Bata a velocidade baixa durante um minuto a um minuto e meio.

2. Numa taça pequena junte os ovos e o leite e mexa. Junte tudo de uma vez à mistura de farinha. misture a baixa velocidade por cerca de 30 segundos. A massa, neste ponto, não está ainda ligada.

3. Coloque a massa sobre a bancada de forma a fazer um montículo. Com a palma da mão comece no topo do montículo e estique a massa aos poucos. Repita este processo duas ou 3 vezes para cada parte da massa.

4. Coloque a massa em cima de película e faça um disco totalmente envolvido pela pelicula. Calque com as mãos de forma a obter uma massa coesa com cerca de 2.5 cm de altura.

5. Coloque no frigorífico pelo menos durante 4 horas.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Confit de Salmão, Maças e Verbena

Com já referi estou a fazer um curso online de Harvard denominado Science & Cooking: From Haute Cuisine to Soft Matter Science . Nesse curso estudamos o efeito das várias temperaturas na processo de cozinhar um ovo (ver post anterior)  e verificamos que resultado final pode ser muito diferente só com a diferença de 2 ou de 3 graus centígrados. 

Este prato, adaptado de uma receita de Raymond Blanc, é mais uma prova do efeito surpreendente que se consegue controlando com exactidão as temperaturas. Neste caso o salmão é um marinado um pouco e depois cozinhado a 40ºC. Á primeira vista pode parecer que esta temperatura deixaria o peixe completamente cru, já que é uma temperatura muito baixa, basta pensar que é a temperatura da febre alta. Mas a surpresa é grande, porque o peixe não fica cru, longe disso.Também não fica com se tivesse sido cozido em água a ferver; fica com uma magnifica cor rosada, mantém  a textura firme e  agradável, e fica com um sabor  especial, porque não é o sabor do salmão cozido, mas também não é nada o sabor do peixe cru, que conhecemos, por exemplo, do sushi.

A receita dá um pouco de trabalho, especialmente para quem não tem, como é o caso seguramente de 99,99% das pessoas, um aparelho de cozedura a baixa temperatura (ou sous-vide). Neste caso o que há a fazer é controlar a temperatura colocando e retirando o tacho de um banho-maria. com explicado na receita. 






Ingredientes

  • 500 g de Salmão sem pele.

Para a marinada do salmão
  • 1 colher de sobremesa de Funcho picado
  • 1 colher de sobremesa de Verbena fresca ( pode ser seca, mas nessa caso utilizar meia colher)
  • raspa de 1/4 de Limão
  • 2 colheres de sobremesa de Sal (aprox. 12 g.)
  • Pimenta (q.b.)


Para cozinhar o Salmão
  • 400 ml de Azeite
  • 1 colher de sobremesa de Verbena fresca ( pode ser seca, mas nessa caso utilizar meia colher)


Para as maças marinadas (opcional)
  • 2 Maças
  • 60 ml de Azeite
  • 1/2 colher de sobremesa de Verbena fresca ( pode ser seca, mas nessa caso utilizar 1/4 de colher)


Procedimento

1.Marinar o Salmão

Misturar os vários ingredientes da marinada.
Se quiser pode tirar as espinhas do salmão.
Esfregar bem o  salmão com a marinada e deixar pelo menos 2 horas no frigorífico
Passado este tempo lavar o salmão para remover a marinada. Se não for cozinhar logo de seguida, voltar a colocar no frigorífico

3.Marinar as maças  em azeite de verbena

Num tacho pequeno colocar o azeite e a verbena até aproximadamente 60ºC, isto é deverá estar quente sem ferver. Mistura bem, tirar do lume e deixar infundir por alguns minutos.

Cortar as maças em fatias finas. Colocar num saco de plástico (pode ser de congelados, mas o ideal é que tenha um sistema de fechar). Colocar o azeite de verbena dentro do saco e retirar todo o ar do saco. Se tiver em casa um máquina de embalar em vácuo é o ideal, se não tiver pode perfeitamente fazer o mesmo efeito retirando  o ar com uma palhinha e um saco de plástico com fecho (por exemplo os sacos Istad do Ikea).

3.Cozinhar o salmão

Num tacho pequeno coloque duas folhas de papel vegetal para que o salmão não fique em contacto directo com o fundo do tacho. Coloque água num tacho maior para fazer um banho-maria, coloque o tacho mais pequeno dentro do grande e leve ao lume até o azeite atingir os 42ºC. Junte o salmão. Quando a temperatura passar os 42º deve retirar o tacho pequeno do banho-maria e deixar arrefecer até ao 38ºC e depois voltar a colocar o tacho no banho maria. Vá repetindo o processo durante cerca de 25 minutos. Este processo permite que o salmão fique cozinhado a uma temperatura de aproximadamente 40ºC.

4. Servir

Servir o salmão morno, isto é sem ultrapassar os 40ºC, acompanhado pelas maças.


Creme de Mexilhões com Açafrão


A associação entre o acafrão e o peixe ou os marisco é muito antiga.  A  bouillaisse, celebre sopa de peixa da provença tem, segundo muitas versões, um pouco de acafrão. Nesta receita são os mexihões,com o seu gosto fortemente iodado, que são combinados com o acafrão, também um pouco amargo. O equilíbrio é dado pelo aveludado das natas e das gemas, e pelo sabor a doce dos legumes estufados. 
E necessário algum cuidado não temperar demais, porque a redução concentra muito os sabores. 

Não é uma sopa forte para substituir uma refeição, é um prato delicado para a uma refeição sofisticada. 




Ingredientes 


  • 2 Kg de Mexilhões
  • 1 Cebola Média
  • 20 cl de Vinho Branco
  • 1 colher de sopa de Vinagre 
  • 60 cl de Natas
  • 2 gemas de Ovo
  • 2 Cenouras médias
  • 1 Alho Frances
  • Tomilho (q.b.)
  • Louro(q.b.)
  • 40 g de Manteiga
  • 1 pitada de Açafrão
  • sal (q.b.)
  • Pimenta (q.b.)


Procedimento

1.  Limpe e lave os mexilhões em várias águas.
2. Pique a cebola e coloque num tacho grande com o vinho, o vinagre, um pouco de louro e um pouco de tomilho. Coloque ao lume até entram em ebulição.
3. Junte o mexilhões e coloque a tampa no tacho, mantendo o lume alto. Mexa de tempo a tempo. Deixe alguns minutos até os mexilhões abrirem bem.
4. Retire do lume e retire os mexilhões, deixando o liquido no tacho. Filtre o liquido, passado-o por um passador de rede fino.
5. Corte a cenoura em pequenos cubos e o alho-francês  em pedacinhos regulares. Leve ao lume com a manteiga sem deixar alourar.
6. Reduzir ao lume  liquido dos mexilhões em cerca de um terço e adicionar o açafrão. Juntar aos poucos as natas mexendo vigorosamente.
7. Baixar o lume, a partir deste momento o liquido não deve ferver. Juntar as gemas de ovos, mexendo bem, mantendo ao lume ter uma consistência aveludada. Se necessário colocar um pouco de sal e pimenta.
8. Aquecer os mexilhões, as cenouras e o alho frances, colocar nos pratos de sopa e cobrir com o caldo.